Perdas necessárias – Identificação

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Olá pessoal,

Estes dias comecei a reler o livro “Perdas necessárias – Judith Viorst” e já não me lembrava o quão sensacional é este livro; e com toda certeza minha maturidade aos 29 anos não é a mesma dos 17 anos que tinha quando li pela primeira vez esta obra.

Abaixo transcrevi uma parte do capítulo: O “Eu” Particular.

“Quando digo “eu”, quero dizer uma coisa absolutamente única, que não deve ser confundida com nenhuma outra” Ugo Betti

Esse “eu” é uma declaração da consciência do próprio ser – de alguns dos seres que somos, ou que poderemos ser. Nosso corpo e nossa mente, nossos objetivos e funções, nossos desejos e limites, nossos sentimentos e capaciades, todos, e mais ainda, estão contidos dentro daquelas duas letras.

Este “eu” – esta auto- representação – é feto de fragmentos da experiência que nosso ego integra como um todo: experiências de harmonia e alegre afirmação. Experiências dos nossos relacionamentos humanos iniciais. A teoria, neste caso, é de que gradualmente uma imagem do “eu psíquico” se constitui em redor de uma primeira imagem do “eu físico”, de modo que, mais ou menos aos dezoito meses de idade, a criança começa a se referir a nós usando nosso nome, bem como a usar aquela inconfundível primeira pessoa do singular.

O “eu” a que nos referimos tomou para si – internalizou – uma imagem do eu, a criança sob os cuidados amorosos da mãe. Mas internalizou também – tornando-se igual, identificando-se – vários aspectos dessa mãe amorosa. A identificação é um dos processos centrais da formação do eu.

Identificação é ser autoritário, cauteloso, amante dos livros – como minha mãe.

Identificação é ser superorganizado e teimoso – como meu pai.

Nossas primeiras identificações tendem a ser globais, de abrangência total. Mas com o tempo identificamos parcial e seletivamente. E quando dizemos: “serei como esta parte de você, mas não como aquela”. Como Ulisses de Tennynson, podemos afirmar: “Sou parte de tudo o que conheci”. Mas essas partes foram transformadas. Cada um de nós é o artista do próprio EU, criando uma colagem – uma obra de arte nova e original – com fragmentos e recortes de identificações.

AS PESSOAS COM QUEM NOS IDENTIFICAMOS SÃO SEMPRE, NEGATIVA OU POSITIVAMENTE, IMPORTANTE PARA NÓS.

Fazemos a identificação por motivos diferentes e variados, e geralmente por muitos de uma só vez. E geralmente nos identificamos para enfrentar a perda, preservando dentro de nós – digamos, adotando um estilo de roupas, um sotaque, maneirismos – alguém que precisamos abandonar ou que morreu. Exemplo: Um pai de meia-idade deixa crescer o bigode logo depois da morte do pai que usava bigode.

A identificação pode ser ativa e passiva, de amor e ódio, para melhor e para pior. Pode ser identificação com o impulso de alguém, suas emoções, consciência, realizações, habilidade, estilo, objetivo, penteado, sofrimento. E através dos anos, enquanto modificamos e harmonizamos essas diferentes identificações – incluindo, talvez, a importente identificação com uma religião, profissão ou classe; incluindo ainda, infelizmente, a identificação com qualidades terríveis, bem como com excelentes qualidades -, possivelmente teremos de nos descartar de outros eus.

A renúncia a esses outrs possíveis eus é mais uma das nossas PERDAS NECESSÁRIAS.

 

Boa semana,

Abraços

Gabi – Gabriela

 

 

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